Paschal Beverly Randolph era um homem negro num meio ocultista quase todo branco. Quase não existe em português. Este guia reúne o que se sabe, com as incertezas marcadas.
Vida
Randolph nasceu em Nova York em 8 de outubro de 1825 e morreu em Toledo, Ohio, em 29 de julho de 1875, aos 49 anos. Perdeu a mãe, Flora Beverly, para a varíola quando era criança. As fontes dão cinco ou sete anos de idade, e a divergência não está resolvida. Cresceu pobre, em Five Points, um bairro de cortiços de Manhattan, e foi autodidata.
Carreira
Trabalhou como médium de transe, primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa. Escreveu romances, e está entre os primeiros romancistas negros americanos. Durante a Guerra Civil, ajudou a recrutar soldados negros para o exército da União e trabalhou na educação de ex-escravizados na Louisiana.
A ordem rosacruz
Em 1858 fundou a Fraternitas Rosae Crucis. Segundo A. E. Waite, historiador inglês do ocultismo, foi a primeira ordem rosacruz conhecida nos Estados Unidos, e a organização existe até hoje. As ideias dele sobre magia sexual passaram depois para a Irmandade Hermética de Luxor, uma sociedade ocultista do fim do século XIX. Não está claro se Randolph teve ligação pessoal com ela.
O ex-médium
Em Seership!, Randolph conta que escreveu um livro para os Irmãos Davenport, a dupla de médiuns mais famosa do tempo, a partir de fatos que eles mesmos lhe passaram. Diz que acreditou neles por anos. Diz também que agora os tem por prestidigitadores, isto é, mágicos de mão.
Quarenta anos depois, em 1910, Harry Houdini foi a Mayville, no estado de Nova York, visitar Ira Davenport, o irmão que ainda vivia. Saiu de lá dizendo que Ira lhe explicara como os números eram feitos, versão que os espiritualistas contestaram. O autor de um manual de vidência desconfiou, portanto, das mesmas pessoas de quem o caçador de médiuns mais conhecido desconfiaria depois. E o manual foi parar na estante do caçador, como se vê em A biblioteca de Houdini.
O manual
Seership! The Magnetic Mirror foi impresso em Boston, em 1870, com pouco mais de oitenta páginas. Tem duas partes: a clarividência pelo mesmerismo e o espelho. Randolph não esconde que vivia do ofício: vendia placas magnéticas, remédios e consultas numerológicas por correspondência, e anuncia tudo no próprio livro, com preço. Era assim que um autor do ramo se sustentava naquele tempo.
Para o conteúdo do manual, as regras e os avisos, veja o guia Espelho negro: o que é e de onde vem.
Randolph no Brasil
No Brasil, Randolph chegou quase só pela Magia Sexualis, publicada em francês em 1931 por Maria de Naglowska, que a apresentou como tradução dele. Boa parte do conteúdo aparece em obras de Randolph. Outra parte grande não aparece em nenhuma, e hoje o livro costuma ser lido como uma compilação com acréscimos da própria Naglowska. Segundo a apresentação da edição brasileira, Vidência! O Espelho Magnético é o primeiro livro escrito pelo próprio Randolph traduzido do inglês para o português.
Para ir além
A biografia de referência é a de John Patrick Deveney, publicada pela State University of New York Press em 1997. O manual está digitalizado em domínio público na Library of Congress e no Internet Archive. A tradução, com 67 notas e glossário, é Vidência! O Espelho Magnético, primeiro volume da Biblioteca do Espelho.

