Houdini era mágico de palco e, nos últimos anos, caçador de médiuns. Também era colecionador. No livro que publicou em 1924, ele conta que tinha reunido uma das maiores bibliotecas do mundo sobre fenômenos psíquicos, espiritualismo, magia e demonologia, com peças desde 1489.
O que foi para Washington
Ele morreu em 1926 e deixou os livros em testamento para a Library of Congress. Em 1927, a biblioteca recebeu 3.988 volumes. Junto vieram manuscritos, cartazes de teatro e 126 álbuns de recortes, feitos por ele mesmo.
A coleção é mais forte nas publicações dos séculos XIX e XX sobre espiritualismo. Faz sentido: o interesse central de Houdini era saber como médiuns enganavam as plateias, e para isso ele precisava ler o que eles e seus defensores escreviam.
Livros de quem ele combatia
O que mais chama atenção é quem aparece nas estantes. Houdini não colecionava só o que concordava com ele. Guardava manuais, tratados e panfletos de autores que acreditavam, ou fingiam acreditar.
Um desses é Seership! The Magnetic Mirror, publicado em Boston em 1870 por Paschal Beverly Randolph. O autor, ex-médium de transe, tinha desconfiado dos Irmãos Davenport, os mesmos que Houdini visitaria em 1910, e escreveu um manual sobre como ver no espelho. Esse exemplar foi digitalizado e está em domínio público. Foi dele que saiu a tradução Vidência! O Espelho Magnético, primeiro volume da Biblioteca do Espelho.
Outro é Automatic or Spirit Writing, de Sara A. Underwood, de 1896, também da Coleção Houdini. É o volume 2.
Onde ver hoje
A Library of Congress digitalizou boa parte do acervo e o disponibiliza em domínio público. É possível ler as páginas originais, incluindo a lombada e as anotações de época. A tradução da Biblioteca do Espelho começou assim: de noite, na tela, em coleções digitalizadas.
Continue lendo
A linha do tempo completa de Houdini, da infância à última sessão de Bess, está em Houdini, 100 anos. Se você quer entender de onde veio a ideia do espelho negro, o livro de Randolph é a fonte: Vidência! O Espelho Magnético.

