Na noite de Halloween de 1936, uma plateia de cerca de trezentas pessoas subiu ao telhado de um hotel em Hollywood. Era a décima vez que Bess Houdini tentava falar com o marido, e seria a última.
Um código combinado em vida
Houdini morreu em 31 de outubro de 1926. Antes disso, ele e Bess haviam combinado uma frase em código. Se ele conseguisse se comunicar depois da morte, essa frase seria dita por meio de um médium, e só ela provaria que a mensagem era dele.
A frase partia de “Rosabelle”, nome de uma canção do número de Bess e palavra gravada na aliança dela. As demais palavras do código eram um alfabeto combinado entre os dois que soletrava believe. Daí a forma como o episódio ficou conhecido: Rosabelle, believe.
Houdini, que dedicou os últimos anos de vida a expor médiuns, tinha acertado algo parecido com outras pessoas. Na introdução de Um Mágico entre os Espíritos, ele conta que combinou com catorze pessoas que quem morresse primeiro tentaria se comunicar com o outro. Nenhuma se comunicou.
Dez anos de sessões
Bess manteve sessões anuais, sempre no Halloween, por dez anos. Aos poucos, a cerimônia virou evento público. A de 1936 aconteceu no telhado do Knickerbocker Hotel, em Hollywood, com plateia e imprensa.
Ao lado de uma fotografia de Houdini, ardia uma vela que, segundo os relatos, ela mantinha acesa havia dez anos.
O fim
A sessão terminou sem mensagem. Bess apagou a vela. Em 1943, ela diria que dez anos eram tempo suficiente para esperar por qualquer homem.
O que sobra da história
A sessão de 1936 não prova nem desprova nada. O que ela mostra é a consistência de Houdini: ele passou três décadas atrás de uma mensagem autêntica e nunca recebeu uma. O livro em que ele organiza essa busca está disponível em português, com as 131 notas dele e mais de cem notas do tradutor.
Para o contexto completo, com a infância, a morte da mãe em 1913 e a biblioteca que ele deixou, veja a linha do tempo de Houdini. Para a morte em si, leia Como Houdini morreu.

