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Houdini e Conan Doyle: a amizade que não sobreviveu a uma mensagem em inglês

Houdini e Conan Doyle: a amizade que não sobreviveu a uma mensagem em inglês

Resposta curta

Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, e Harry Houdini foram amigos até 1922. Doyle acreditava no espiritualismo e achava que Houdini tinha poderes mediúnicos. Uma sessão em Atlantic City, em junho de 1922, e a disputa em torno da médium Margery, em 1924, encerraram a amizade.

Sir Arthur Conan Doyle criou o detetive mais racional da literatura. Também acreditava, com todas as letras, que falava com os mortos. Harry Houdini passou a vida tirando truques de palco e de sessão espírita da cartola. Os dois se conheceram, se gostaram e, por um tempo, foram amigos.

Um amigo que “tinha poderes”

Doyle se convencera de duas coisas. A primeira: que os médiuns que frequentava eram autênticos. A segunda: que Houdini tinha poderes mediúnicos e os negava. Na cabeça dele, escapar de algemas e de caixotes pregados no palco não era só técnica.

Houdini respondia com respeito e exasperação. As cartas reproduzidas no capítulo IX do livro dele mostram essa mistura de perto.

Atlantic City, 1922

Em junho de 1922, num hotel de Atlantic City, lady Doyle escreveu numa sessão uma mensagem que seria da mãe de Houdini. Estava em inglês. Cecilia Weiss, a mãe, não falava inglês.

Houdini, que perdera a mãe em 1913 e passara a procurar uma única mensagem que pudesse considerar autêntica, não aceitou. Dali em diante, a conversa entre os dois deixou de ser de amigos.

Margery, 1924

Em 1924, a revista Scientific American ofereceu um prêmio de 2.500 dólares a quem produzisse fenômenos psíquicos sob condições de teste. A candidata mais séria era Mina Crandon, conhecida como Margery, mulher de um cirurgião de Boston.

Doyle era o grande defensor de Margery. Houdini foi o grande opositor. Ele a investigou, concluiu que era fraude e publicou, por conta própria, um panfleto com a conclusão. A amizade, até então estremecida, acabou.

O livro

O mesmo ano de 1924 é o do livro de Houdini, A Magician Among the Spirits. Doyle ocupa o capítulo IX inteiro e atravessa o resto. Houdini o trata como amigo e como adversário, na mesma página, e o livro registra uma amizade que, nas palavras da apresentação da edição brasileira, não sobreviveu a ele.

O livro tem capítulos mais fracos, e a apresentação diz quais. Mas os capítulos com documento na mão, as cartas de Doyle entre eles, são os melhores.

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A edição traduzida e anotada de Um Mágico entre os Espíritos traz o capítulo IX completo, com as 131 notas de Houdini e mais de cem notas do tradutor. Para o contexto de toda a vida dele, veja Houdini, 100 anos.

Perguntas frequentes

Por que Houdini e Conan Doyle brigaram?

Doyle estava convencido de que falava com os mortos e de que Houdini tinha poderes mediúnicos que ele próprio negava. Em 1922, lady Doyle escreveu numa sessão uma mensagem que seria da mãe de Houdini, em inglês, língua que ela não falava. Houdini não aceitou, e a divergência foi crescendo até 1924.

Quem era Margery?

Mina Crandon, conhecida como Margery, mulher de um cirurgião de Boston. Foi a candidata mais séria ao prêmio de 2.500 dólares oferecido em 1924 pela revista Scientific American a quem produzisse fenômenos psíquicos sob controle. Doyle era seu grande defensor; Houdini, seu grande opositor.

Onde Houdini fala de Conan Doyle?

No livro "A Magician Among the Spirits" (1924), no capítulo IX, inteiro dedicado ao amigo. A amizade, diz a apresentação da edição brasileira, não sobreviveu ao livro.

Capa de Um Mágico entre os Espíritos, de Harry Houdini: algemas abertas sobre um baú, com fumaça dourada em forma de mão.

Leia o livro

Um Mágico entre os Espíritos

"Um Mágico entre os Espíritos" é o livro de 1924 em que Harry Houdini conta trinta anos de sessões espíritas e mostra como os fenômenos eram produzidos. Esta edição é traduzida direto do inglês, com as 131 notas de Houdini e mais de 100 notas do tradutor.

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